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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Saudades

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades dos amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do meu presente, que não aproveitei de todo,
lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro, que se idealizado, 
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, 
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!
Sinto saudades de coisas que tive e de outras que não tive
mas quis muito ter!
Sinto saudades de coisas que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!
Sinto saudade dos livros que li e me fizeram viajar!
Sinto saudade dos discos que ouvi e me fizeram viajar!
Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...para resgatar alguma coisa
que nem sei o que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,em italiano, em inglês...
mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor... declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples "I miss you" ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente a imensa falta
que sentimos de coisas ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,meio nostálgico, meio gostoso
mas que funciona melhor do que um sinal vital
quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis!
De que amamos muito o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...
(Clarice Lispector)


terça-feira, 8 de novembro de 2011

E muitas vezes não permite


"Ela, na sua magnífica força e coragem,
aprendeu a ser livre;
a gritar quando tem vontade,
a chorar quando precisar chorar
e a sorrir mesmo quando a situação não permitir sorrir."
(Clarice Lispector)



quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ela me ensina a viver

"Meu cão me revigora toda. Sem falar que dorme às vezes aos meus pés, enchendo o quarto de cálida vida úmida. O meu cão me ensina a viver."
(Clarice Lispector)


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Bem Guardado

"Resolvi guardar meu amor pra mim
não por questão de egoísmo, mas de cuidado.
Não quero que ninguém o toque, só isso!"
(Clarice Lispector)


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Tudo e agora!

Eu sou assim, quero tudo 
e quero agora! 
Uns chamam de mimada, 
mas eu prefiro decidida...
(Clarice Lispector)


terça-feira, 19 de julho de 2011

Felicidade

É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.
(Clarice Lispector)


terça-feira, 12 de julho de 2011

Sempre sorrindo

Sorria sempre. 
Seus lábios não precisam traduzir 
o que acontece no seu coração.
(Clarice Lispector) 


terça-feira, 28 de junho de 2011

E que bagunça

"Antes de abrir a porta do coração novamente, melhor limpar a bagunça que ficou da última vez."
(Clarice Lispector)


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Qual?

“Qual foi o último 
'para sempre' 
que você acreditou?” 
Clarice Lispector


terça-feira, 21 de junho de 2011

Coração louco

“Só fiz bobagens e me dei mal 
quando ouvi este louco coração de criança 
que insiste em não endurecer.” 
(Clarice Lispector)


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Exagerada

"Exagerada toda a vida: 
minhas paixões são ardentes; 
minhas dores de cotovelo, de querer morrer; 
louca do tipo desvairada; 
briguenta de tô de mal pra sempre; 
durmo treze horas seguidas; 
meus amigos são semi-irmãos; 
meus amores são sempre eternos 
e meus dramas, mexicanos!"
(Clarice Lispector)


domingo, 1 de maio de 2011

Presente para você

"Tinha vontade de fazer
um embrulho de mim,
com papel de seda, lacinho de fita,
e mandá-lo pra você..."
Clarice Lispector


domingo, 10 de abril de 2011

Anúncio em negrito

"Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar."  
Clarice Lispector

terça-feira, 29 de março de 2011

Curam mais rápido

"Queria voltar a ser criança,
porque os joelhos ralados
curam bem mais rápidos que
os corações partidos."
(Clarice Lispector)


sexta-feira, 25 de março de 2011

Veja além...

O que realmente faz valer a pena estar vivo,
não há filmadora ou máquina fotográfica que registre.
Surpresas, gargalhadas, lágrimas, enfim,
o que eu sinto, quem eu sou, você só vai perceber
quando olhar nos meus olhos,
ou melhor, além deles...
Clarice Lispector


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Em cólera

"Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada... O amor ao invés de dar exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece!"

(Clarice Lispector)


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Não sei dizer

"É curioso como não sei dizer quem sou.
Quer dizer, sei bem, mas não posso dizer.
Sobretudo tenho medo de dizer,
porque no momento que tento falar,
não só exprimo o que sinto, como o que sinto
se transforma lentamente
no que eu digo!"
(Clarice Lispector)


A experiência Maior

"Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o
que não era eu.
Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil.
Minha experiência maior seria ser o outro dos outros:
e o outro dos outros era eu!"

(Clarice Lispector)


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Me ser

"Se eu não me amar, estarei perdida -
porque ninguém me ama a ponto de ser eu,
de me ser."
(Clarice Lispector)

Imagem do Google

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Livro

"Às vezes sentava-se na rede, balançando-me com o livro aberto
no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante."
(Clarice Lispector)

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